Por Matheus Damaso.
Especialista em negócios aponta falhas no controle financeiro, na estruturação de equipes e na experiência do consumidor que podem comprometer a expansão de uma empresa
Abrir uma empresa é apenas o primeiro passo para empreender. O desafio seguinte é transformar as vendas em resultados consistentes, estruturar a operação e criar condições para crescer sem comprometer a saúde financeira do negócio. Nesse processo, erros de gestão, falta de planejamento e dificuldade para acompanhar as mudanças no comportamento do consumidor podem limitar o desenvolvimento de empresas de diferentes portes.
Para Richard Harary, empresário à frente da MacroBaby, um dos equívocos mais comuns é acreditar que a abertura do negócio representa a etapa mais difícil da jornada empreendedora. “Abrir é só o começo. Para crescer, é preciso entender muito bem o consumidor, conhecer as regras do mercado e ter disciplina para acompanhar números, custos e resultados”, afirma.
Outro obstáculo está na centralização das decisões. Quando o empresário concentra todas as responsabilidades, a operação passa a depender excessivamente de sua presença, dificultando a expansão. A criação de processos claros e a formação de equipes preparadas são fundamentais para aumentar a eficiência e permitir que o negócio funcione de maneira estruturada.
A gestão financeira também exige atenção. O aumento do faturamento, por si só, não significa que uma empresa esteja crescendo de forma saudável. É necessário acompanhar margens de lucro, custos operacionais, fluxo de caixa, estoque e produtividade para entender se as vendas estão efetivamente contribuindo para o resultado.
“Vender mais é importante, mas não basta. A empresa precisa saber se cada venda realmente contribui para o resultado”, destaca Harary. Segundo ele, uma expansão que compromete a qualidade do atendimento, aumenta as perdas financeiras ou prejudica a capacidade de entrega pode não se sustentar a longo prazo.
As mudanças no comportamento do consumidor representam outro desafio para os empreendedores. Com mais informações e opções de compra, os clientes esperam conveniência, agilidade e experiências que correspondam às suas necessidades. Para acompanhar essas expectativas, as empresas precisam ouvir o público e aprimorar continuamente seus canais de atendimento.
“O consumidor tem mais informação, mais opções e menos paciência. Ele espera conveniência, atendimento rápido e uma experiência que faça sentido para ele”, afirma o empresário.
Nesse cenário, a tecnologia pode facilitar a jornada de compra, mas não substitui o relacionamento com o cliente. A confiança e a qualidade do atendimento continuam sendo fatores importantes para a fidelização. Essa lógica também influencia a competitividade das lojas físicas, que podem se diferenciar ao oferecer orientação especializada, contato direto com os produtos e uma experiência que vá além do preço.
A experiência de Harary no varejo, à frente da MacroBaby, empresa especializada em produtos para bebês, está relacionada a esse desafio. Nesse segmento, a orientação ao consumidor pode contribuir para decisões de compra mais seguras, demonstrando como o serviço prestado também pode gerar valor para o negócio.
Para o empresário, a capacidade de adaptação é indispensável para quem deseja consolidar uma empresa. “O mercado muda o tempo todo, e o empresário precisa estar disposto a mudar com ele”, afirma.
Além de acompanhar as transformações do mercado, empreendedores precisam manter o controle dos indicadores financeiros, investir em processos e desenvolver equipes alinhadas aos objetivos do negócio. A combinação entre planejamento, eficiência operacional e atenção ao consumidor pode ajudar empresas a transformar o aumento das vendas em crescimento sustentável.


