O Kansas City Chiefs chegou ao Super Bowl LIX como um dos times mais temidos da NFL, liderados pelo gênio ofensivo Andy Reid e pelo talento fenomenal de Patrick Mahomes. No entanto, a derrota para o Philadelphia Eagles por 40-22 expôs problemas que foram sendo ignorados ao longo da temporada. Vamos analisar em detalhes o que deu errado para os Chiefs e como esses erros comprometeram suas chances no jogo mais importante do ano.
O problema crônico do left tackle
A proteção do lado cego do quarterback é uma das posições mais críticas do futebol americano. O left tackle é responsável por proteger Mahomes dos pass rushers mais ferozes da liga. No entanto, os Chiefs deixaram essa questão sem solução durante toda a temporada.
Em 2023, Donovan Smith era o titular, mas com sua saída, os Chiefs apostaram em Wanya Morris e Kingsley Suamataia. Ambos mostraram dificuldades, e o técnico Andy Reid perdeu confiança neles ao longo da temporada. Somente em novembro a equipe assinou com DJ Humphries, um veterano que sofreu uma lesão e não conseguiu se firmar na posição.
Dessa forma, no Super Bowl, Joe Thuney, um guard de origem, foi deslocado para left tackle. Isso comprometeu tanto a proteção de Mahomes quanto a força da linha ofensiva como um todo. O resultado foi um colapso da proteção e um jogo ofensivo extremamente limitado.
A falta de equilíbrio no ataque
O sistema ofensivo dos Chiefs tem sido historicamente focado no jogo aéreo, mas no Super Bowl, essa abordagem custou caro. Nos primeiros drives, a equipe correu apenas uma vez em 13 jogadas, deixando Mahomes exposto a uma das melhores linhas defensivas da NFL.
Isiah Pacheco e Kareem Hunt, os running backs do time, não tiveram espaço para desenvolver o jogo terrestre. Com uma linha ofensiva fragilizada, os Chiefs não conseguiram estabelecer um ataque balanceado, o que facilitou a vida da defesa dos Eagles, que podia focar na pressão a Mahomes sem se preocupar com corridas.
Quando finalmente tentaram usar o jogo corrido, os Chiefs enfrentaram dificuldades. No terceiro quarto, Pacheco teve uma corrida de 6 jardas, mas logo depois o time voltou a insistir nos passes. Hunt conseguiu uma boa corrida de 10 jardas, mas uma penalidade de holding anulou o ganho. O resultado foi um ataque previsível e ineficaz.
A ineficiência das formações ofensivas
Uma das estratégias que poderiam ter ajudado os Chiefs a equilibrar o jogo era o uso de formações com mais tight ends, como o “12 personnel” (um running back, dois tight ends) ou até “13 personnel” (um running back, três tight ends). Essas formações ajudariam tanto no bloqueio para o jogo corrido quanto na proteção a Mahomes, aliviando a pressão da defesa adversária.
Porém, os Chiefs utilizaram a formação “11 personnel” (um running back, um tight end, três wide receivers) em 74% dos snaps, um número muito alto para um jogo em que a pressão sobre o quarterback era um problema. Com isso, a defesa dos Eagles teve mais facilidade em pressionar Mahomes e limitar suas opções de passe.
Os erros individuais e coletivos
Não foram apenas erros táticos que prejudicaram os Chiefs, mas também erros individuais em momentos decisivos. Um dos mais marcantes foi um drop de DeAndre Hopkins em um passe de Mahomes que poderia ter gerado um ganho significativo. Segundo estatísticas da NFL Next Gen Stats, essa jogada tinha uma probabilidade de 82,2% de ser completada e geraria cerca de 26,6 jardas após a recepção. No entanto, Hopkins deixou a bola escapar das mãos.
Além disso, penalidades prejudicaram a equipe em momentos-chave. Trent McDuffie cometeu um “unnecessary roughness” que deu aos Eagles uma nova primeira descida, e Nick Bolton cometeu “unsportsmanlike conduct” em uma jogada que transformou um “3rd & 26” em um “1st & 10” para os Eagles. Essas falhas permitiram que o adversário controlasse o ritmo do jogo e evitassem reações dos Chiefs.
O impacto da defesa dos Eagles
Mesmo que os Chiefs tenham conseguido limitar o jogo corrido de Saquon Barkley, eles não conseguiram evitar jogadas explosivas pelo ar. Jalen Hurts conectou passes longos, explorando erros na cobertura de Kansas City.
Um dos momentos decisivos foi um passe de 46 jardas para DeVonta Smith no terceiro quarto. Os Chiefs caíram em uma jogada fake de corrida e abriram espaço no fundo do campo. Esse tipo de erro de posicionamento custou caro ao time de Mahomes, que viu os Eagles aumentarem a vantagem e consolidarem a vitória.
O que os Chiefs podem aprender com essa derrota?
A derrota no Super Bowl LIX serve como um alerta para os Chiefs sobre a necessidade de planejar melhor certas posições chaves. Alguns aprendizados para o futuro incluem:
- Investir no left tackle: A equipe precisa encontrar uma solução confiável para proteger Mahomes. Não se pode repetir a situação desta temporada, em que o problema foi empurrado com a barriga até ser tarde demais.
- Balancear melhor o jogo terrestre e aéreo: Mesmo com um quarterback de elite, o jogo corrido é essencial para evitar que defesas adversárias foquem apenas na pressão ao QB.
- Utilizar formações mais físicas: Ter mais tight ends e formações que reforcem o bloqueio pode ser uma estratégia eficaz contra defesas agressivas.
- Evitar erros disciplinares: Penalidades desnecessárias custam caro em jogos decisivos. Isso precisa ser corrigido.
Os Chiefs continuam sendo um time incrível e com um dos melhores quarterbacks da história, mas essa derrota mostrou que mesmo as maiores potências da NFL podem ser expostas se não corrigirem seus problemas estruturais a tempo.

