Guia definitivo: como levar cães e gatos para os Estados Unidos — regras, documentos e procedimentos

Neste artigo

Transportar um animal de estimação para os Estados Unidos é um processo que exige atenção aos mínimos detalhes. As exigências envolvem legislação federal americana, regulamentos estaduais, protocolos brasileiros e até regras específicas de companhias aéreas. Qualquer descuido pode resultar em atrasos, multas ou até na recusa de entrada do animal.

A seguir, apresentamos um guia aprofundado para tutores que pretendem viajar com cães ou gatos, saindo do Brasil, contemplando desde a preparação meses antes até os cuidados no dia do embarque.

Quem regula a entrada de animais nos EUA

A importação de cães e gatos é fiscalizada por múltiplos órgãos:

  • CDC (Centers for Disease Control and Prevention)
    Responsável por prevenir a introdução e disseminação da raiva canina. Define requisitos para cães com base no país de origem ou permanência nos últimos seis meses.
  • USDA-APHIS (United States Department of Agriculture – Animal and Plant Health Inspection Service)
    Regula a importação e transporte de animais vivos, aplicando padrões de bem-estar animal e verificando condições de transporte.
  • Órgãos estaduais e municipais
    Podem impor regras adicionais, especialmente para gatos, como exigência de vacinação antirrábica ou licenças locais.
  • MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Brasil)
    Responsável por emitir o Certificado Veterinário Internacional (e-CVI), documento exigido para saída legal do animal do território brasileiro.

Regras para cães — mudanças recentes

Guia definitivo: como levar cães e gatos para os Estados Unidos — regras, documentos e procedimentos

Desde 1º de agosto de 2024, o CDC implementou requisitos mais rigorosos para a entrada de cães. Agora é obrigatório que todos os cães:

  1. Tenham microchip compatível com ISO 11784/11785 implantado antes da vacinação antirrábica (quando possível).
  2. Possuam idade mínima de 6 meses no dia da entrada nos EUA.
  3. Apresentem comprovante válido de vacinação contra raiva.
  4. Tenham o CDC Dog Import Form preenchido e aprovado antes da viagem.

Classificação por risco de país

O CDC mantém uma lista de países considerados de alto risco para raiva canina. O Brasil está atualmente nessa lista. Isso significa que cães que viveram ou transitaram por países de alto risco nos seis meses anteriores à entrada nos EUA precisam cumprir exigências adicionais:

  • Sorologia FAVN (Fluorescent Antibody Virus Neutralization Test) realizada em laboratório aprovado pelo CDC.
  • Reserva em um Animal Care Facility (ACF) autorizado, localizado em aeroportos específicos, onde o animal poderá cumprir quarentena se necessário.
  • Possível permanência obrigatória de 28 dias em quarentena caso a vacinação não esteja conforme ou a sorologia não seja apresentada.

Regras para gatos — menos exigências, mas não negligencie

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A nível federal, não há exigência de vacinação antirrábica para gatos. Contudo:

  • Alguns estados e condados exigem prova de vacinação, especialmente se o animal for viver ou circular em áreas com histórico de casos de raiva.
  • A maioria das companhias aéreas solicita atestado de saúde recente (emitido até 10 dias antes do embarque).
  • Para sair do Brasil, gatos também precisam do e-CVI emitido pelo MAPA, com janela de solicitação entre 10 e 3 dias antes do embarque.

Documentos obrigatórios para saída do Brasil

O e-CVI é a autorização oficial para trânsito internacional do animal e deve ser solicitado no portal SIPEAGRO ou presencialmente em unidades da Vigiagro.

  • Para cães: emissão entre 5 e 2 dias antes do embarque.
  • Para gatos: emissão entre 10 e 3 dias antes do embarque.
  • Requer exame clínico por médico-veterinário habilitado, que atestará a saúde do animal e a conformidade vacinal.

Transporte aéreo — normas internacionais

A IATA (International Air Transport Association) define as especificações para caixas de transporte:

  • Espaço suficiente para o animal ficar em pé, girar e deitar confortavelmente.
  • Portas metálicas seguras e ventilação em todos os lados.
  • Piso resistente a vazamentos e comedouros fixos.
  • Etiquetas de identificação e setas indicando a posição correta.

Modalidades

  • Cabine (in-cabin): permitido apenas para animais pequenos, dentro de limites de peso e dimensões definidos pela companhia aérea.
  • Porão/carga viva (checked/cargo): para animais maiores; requer reserva antecipada e pode estar sujeito a restrições climáticas.

Procedimento passo a passo

6 meses antes

  • Verificar classificação do país no CDC.
  • Implantar microchip se ainda não tiver.
  • Planejar vacinação antirrábica ou reforço.

3 a 4 meses antes

  • Se exigido, realizar coleta para exame FAVN e enviar a laboratório aprovado.
  • Iniciar adaptação do animal à caixa de transporte.

1 a 2 meses antes

  • Confirmar voo e modalidade de transporte.
  • Comprar kennel com certificação IATA.
  • Preparar tradução de documentos veterinários.

10 a 5 dias antes

  • Solicitar emissão do e-CVI no MAPA.
  • Emitir atestado de saúde em inglês.

Dia do embarque

  • Chegar com antecedência mínima de 3 horas para despacho.
  • Levar cópias impressas e digitais de todos os documentos.
  • Conferir condições climáticas (pode haver suspensão de transporte em temperaturas extremas).

Erros comuns que atrasam ou impedem a viagem

  • Vacinação antirrábica realizada após a coleta de sorologia (invalida o resultado).
  • Falta de tradução oficial de documentos.
  • Microchip implantado após a vacina (o CDC exige leitura do chip antes da aplicação para validade).
  • Chegar fora da janela de emissão do e-CVI.

Dicas de bem-estar

  • Evitar sedativos sem orientação veterinária — risco de problemas respiratórios.
  • Acostumar o animal ao kennel semanas antes.
  • Levar manta ou brinquedo com cheiro familiar.
  • Alimentação leve antes do embarque e água disponível no recipiente.

Apoio especializado

Empresas de transporte internacional de animais, especialmente membros da IPATA, oferecem serviço porta a porta, cuidando de documentação, reservas e acompanhamento da viagem, sendo recomendadas para tutores sem experiência prévia.

Conclusão

Transportar um pet para os Estados Unidos não é apenas uma questão de compra de passagem — envolve seguir à risca protocolos sanitários e logísticos. Com planejamento adequado, é possível garantir não apenas a entrada legal, mas também o conforto e segurança do animal durante toda a jornada.

Sobre o Autor:
Redação Entre Fronteiras
Grupo de Brasileiros focados em auxiliar empreendedores nos Estados Unidos da América.

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