Embarcação operada por empresa da Flórida suspendeu a viagem após disparada nos custos de combustível; passageiros tiveram de desembarcar durante uma parada na Ásia.
Uma viagem que prometia transformar um navio em residência permanente acabou em incerteza para mais de 200 passageiros que percorriam o mundo a bordo do cruzeiro Odyssey. A embarcação, operada pela empresa americana Villa Vie Residences, interrompeu sua jornada no Camboja após uma forte alta nos custos de combustível, deixando moradores sem suas casas flutuantes e obrigados a buscar alternativas de hospedagem.
O navio estava atracado no porto de Sihanoukville, no litoral cambojano, quando a empresa anunciou, em 27 de outubro, a suspensão das operações na região. A decisão afetou 203 passageiros, em sua maioria americanos, além de 156 tripulantes, segundo autoridades locais.
Combustível ficou até quatro vezes mais caro
De acordo com a empresa, as despesas mensais com combustível, que historicamente giravam em torno de US$ 1.800 por cabine, passaram a ser estimadas entre US$ 6 mil e US$ 8 mil em algumas regiões da Ásia.
A companhia atribuiu a escalada dos preços aos impactos da guerra envolvendo o Irã e às restrições no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o abastecimento mundial de energia.
A empresa afirmou ter tentado reduzir o consumo diminuindo a velocidade do navio e permanecendo mais tempo nos portos. As medidas, porém, não foram suficientes para compensar os gastos adicionais.
Segundo a operadora, repassar integralmente o aumento das despesas aos moradores não seria uma solução viável. A pressão financeira tornou insustentável o modelo de operação, levando à interrupção da viagem.
Passageiros tiveram de deixar suas casas no mar
A situação provocou uma mudança repentina na vida dos passageiros, muitos dos quais haviam escolhido o navio como residência de longo prazo. Alguns investiram economias significativas para viver a bordo e viajar continuamente por diferentes países.
Segundo autoridades do Camboja, os passageiros foram orientados a desembarcar durante uma parada programada. O Odyssey havia chegado a Sihanoukville em 23 de outubro e deveria seguir viagem para o Vietnã.
Relatos publicados por um passageiro que mantinha um blog sobre a experiência a bordo apontaram dificuldades na saída do porto e falta de orientações práticas para encontrar hotéis e organizar a hospedagem. As críticas contrastam com o posicionamento da empresa, que declarou estar trabalhando para coordenar o desembarque e identificar acomodações temporárias.
A situação também deixou dúvidas sobre os próximos passos dos moradores, especialmente daqueles que haviam vendido bens ou reorganizado a vida para permanecer no navio.
Como funcionava o cruzeiro residencial
Diferentemente de um cruzeiro turístico convencional, o Odyssey oferecia a possibilidade de comprar ou alugar cabines para estadias prolongadas, inclusive como residência permanente.
A proposta combinava moradia a bordo com viagens internacionais contínuas. A embarcação partiu de Belfast, na Irlanda do Norte, em outubro de 2024, para uma jornada planejada de aproximadamente três anos e meio pelos sete continentes.
A capacidade do navio é de cerca de 650 passageiros. Entretanto, no momento da interrupção, havia 203 moradores e 156 tripulantes a bordo, conforme os dados divulgados pelas autoridades locais.
Os preços variavam conforme o tipo de acomodação e o modelo de permanência escolhido, com opções de compra e aluguel. Para alguns passageiros, a proposta representava uma alternativa à aposentadoria tradicional ou uma maneira de trabalhar remotamente enquanto conheciam o mundo.
Empresa busca alternativas para continuar as operações
A Villa Vie Residences informou que pretende avaliar alternativas para reestruturar suas finanças e buscar novos recursos. A companhia também declarou estar trabalhando para apoiar os passageiros, tripulantes e funcionários afetados pela suspensão.
Autoridades cambojanas informaram que o navio deveria reabastecer e deixar o país em 31 de outubro, mas a saída ainda dependia de confirmação da operadora.
Enquanto isso, os passageiros enfrentam decisões urgentes sobre hospedagem, transporte e retorno aos países de origem. Para quem havia escolhido o Odyssey como lar, a interrupção representa não apenas o fim inesperado de uma viagem, mas também a necessidade de reorganizar a própria vida longe de casa.

