O turismo internacional na Flórida continua abaixo dos níveis anteriores à pandemia. Dados divulgados pela Visit Florida mostram que, no primeiro trimestre de 2025, quase 92% dos turistas que visitaram o estado eram residentes dos Estados Unidos, confirmando a tendência de estagnação no setor global de viagens com destino à região.
Entre janeiro e março, a Flórida recebeu cerca de 41,193 milhões de visitantes — número praticamente igual ao registrado no mesmo período do ano passado. Apesar de um recorde geral de visitantes em 2024, o início de 2025 revela que o crescimento perdeu força, principalmente entre os estrangeiros. Os canadenses, que tradicionalmente lideram o ranking internacional, registraram queda de 3,4% nas visitas.
Frente à desaceleração, o governador Ron DeSantis propôs medidas para transferir parte da carga tributária dos residentes para os turistas. Em declarações recentes, citou explicitamente brasileiros e canadenses como públicos estratégicos para compensar a arrecadação. A ideia é manter o imposto sobre vendas (sales tax) em patamar elevado, fazendo com que os gastos de turistas em lojas, restaurantes e atrações sustentem parte das receitas do estado.
A proposta, no entanto, contraria um projeto em discussão na Câmara estadual, que busca reduzir a alíquota do imposto sobre vendas. DeSantis se posicionou contra essa redução e defende que manter a carga tributária atual é fundamental para que o turismo internacional ajude a equilibrar as finanças públicas.
A retração entre os canadenses é significativa. As viagens aéreas do Canadá para a Flórida caíram 20%, enquanto o número de turistas que cruzavam a fronteira de carro diminuiu em 35%. O impacto já é visível no setor aéreo: companhias têm reduzido voos ou substituído aeronaves maiores por modelos menores em rotas entre cidades canadenses e destinos como Miami e Fort Lauderdale.
Com os números em queda, a estratégia do governo agora se volta para a reativação de fluxos internacionais, mirando mercados considerados historicamente relevantes, como o Brasil. A expectativa é que novas campanhas de promoção e incentivos para operadores turísticos ajudem a retomar o crescimento internacional no segundo semestre.

