Trump se apoia em laços estreitos com o príncipe saudita enquanto busca acordo sobre a Ucrânia.

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Enquanto o presidente Donald Trump avança em sua tentativa de encerrar a guerra na Ucrânia, ele está contando com um aliado de longa data: o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman. O sucesso de bin Salman na mediação do conflito pode aprofundar ainda mais os laços estreitos entre ele e o novo presidente dos Estados Unidos.

Mais do que apenas fornecer a Arábia Saudita como local para negociações, bin Salman e seus diplomatas desempenharão um papel crucial na mediação de um acordo de paz, de acordo com autoridades próximas ao assunto. As conversas estão sendo estruturadas com o objetivo de posicionar a Arábia Saudita como um ator global de maior influência.

Trump, que busca uma resolução rápida para o conflito, considera o reino saudita como um de seus aliados mais confiáveis. Autoridades afirmam que, se as conversas preliminares entre altos funcionários do governo Trump e representantes russos ocorrerem com sucesso, uma reunião entre Trump e o presidente russo Vladimir Putin pode ser organizada rapidamente, possivelmente culminando em uma cúpula na Arábia Saudita no próximo mês.

“Será em breve, veremos o que acontece”, disse Trump no domingo. “Isso deveria ter sido feito há três ou quatro anos, antes (da guerra) começar. Mas deveria ter sido feito imediatamente após o início, não agora.”

A história está repleta de cúpulas EUA-Rússia realizadas em cidades europeias como Viena, Genebra e Helsinque, onde múltiplos acordos diplomáticos foram alcançados ao longo dos anos. No entanto, uma reunião de tão alto risco em Riad seria inédita.

Outras nações, incluindo Sérvia e Suíça, também se ofereceram para sediar uma possível cúpula entre Trump e Putin, mas autoridades russas veem uma reunião na Europa como algo potencialmente favorável à Ucrânia, dado o apoio contínuo das nações europeias ao país invadido pela Rússia.

Em contraste, a Arábia Saudita manteve uma postura neutra, evitando críticas públicas a Moscou e não se unindo ao Ocidente na imposição de sanções. Além disso, a Arábia Saudita não é membro do Tribunal Penal Internacional, que emitiu um mandado de prisão para Putin, permitindo ao líder russo viajar para lá sem risco de ser preso.

Laços Entre Trump e Mohammed bin Salman

O príncipe Mohammed bin Salman, líder de fato da Arábia Saudita, construiu uma relação estreita com Trump ao longo dos anos. Isso ficou evidente no mês passado, quando se tornou o primeiro líder mundial a falar com Trump após sua posse.

“Estamos felizes em trabalhar com você e com o presidente Trump”, disse o príncipe antes de uma reunião com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Rubio se juntará ao conselheiro de segurança nacional Mike Waltz e ao enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff, para as conversas com os russos em Riad.

Se Trump realmente viajar para a Arábia Saudita nas próximas semanas para uma reunião com Putin, ele se tornará o único presidente dos EUA a fazer da Arábia Saudita o local de suas duas primeiras viagens internacionais em ambos os mandatos — um afastamento radical das visitas tradicionais a países vizinhos como México ou Canadá.

Oito anos atrás, Trump recebeu uma recepção calorosa ao desembarcar em Riad, com uma banda de metais e um sobrevoo de caças sauditas dando-lhe as boas-vindas. Ele foi saudado com uma enorme projeção de seu rosto na fachada do hotel Ritz-Carlton, onde se hospedou.

Escolher Riad em vez de uma capital ocidental também é uma maneira de Trump demonstrar sua prioridade em fortalecer os laços com o reino árabe após o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi em 2018, mesmo que isso signifique diminuir os aliados europeus, que têm um interesse direto maior no desenrolar das negociações de paz sobre a Ucrânia.

Amizade com Putin e Apostas Regionais

Mohammed bin Salman é um dos poucos líderes mundiais que manteve uma relação estreita com Putin desde a invasão da Ucrânia, e os dois compartilham uma abordagem autocrática de governar, incluindo a repressão violenta à dissidência.

“Conhecemos o príncipe herdeiro e acho que seria um ótimo lugar para estar”, disse Trump recentemente no Salão Oval, referindo-se à possibilidade de uma cúpula em Riad.

Embora o príncipe tenha sido criticado por sua postura neutra, ele viu a crise ucraniana como uma oportunidade para a Arábia Saudita. Em 2023, ele sediou uma cúpula de paz em Jeddah e se encontrou tanto com Putin quanto com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

Recentemente, bin Salman desempenhou um papel fundamental na mediação de trocas de prisioneiros entre os EUA e a Rússia, demonstrando sua crescente influência nas questões globais. Steve Witkoff, enviado de Trump, elogiou o papel do príncipe nas negociações.

Caso a cúpula Trump-Putin aconteça em Riad, ela marcará o sexto encontro entre os dois líderes, e o segundo grande evento em que Trump se reúne com Putin. O encontro de Helsinque em 2018, onde Trump questionou as conclusões da inteligência dos EUA sobre a interferência eleitoral russa, continua sendo um dos momentos mais notáveis dessa relação.

Desafios Regionais e Econômicos

Apesar dos estreitos laços, Trump também enfrenta desafios em sua tentativa de restaurar sua relação com Mohammed bin Salman. A proposta de Trump de deslocar os palestinos da Faixa de Gaza e desenvolver as terras costeiras foi amplamente criticada no Oriente Médio e gerou desconfiança em várias nações árabes, incluindo a Arábia Saudita.

A proposta de Trump, que é considerada inaceitável por muitos no Oriente Médio, ainda está sendo discutida. Enquanto isso, o príncipe saudita se prepara para sediar uma reunião de líderes árabes para explorar alternativas à sua proposta.

Além disso, o príncipe tem se esforçado para fortalecer a economia saudita e atrair investimentos internacionais. Quando Trump sugeriu em janeiro que a Arábia Saudita comprasse US$ 500 bilhões em produtos americanos, bin Salman prontamente aumentou a oferta para US$ 600 bilhões. Trump, por sua vez, sugeriu que o valor fosse de cerca de US$ 1 trilhão, aumentando a expectativa sobre os investimentos sauditas em uma economia global em recuperação.

A relação entre Trump e Mohammed bin Salman está profundamente enraizada em interesses econômicos, políticos e estratégicos, e as negociações em andamento podem ter um impacto significativo não apenas na guerra da Ucrânia, mas também no futuro das relações entre os Estados Unidos e o Oriente Médio.

Sobre o Autor:
Redação Entre Fronteiras
Grupo de Brasileiros focados em auxiliar empreendedores nos Estados Unidos da América.

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