Trump eleva para US$ 7 trilhões os investimentos prometidos por países do Oriente Médio nos EUA — mas de onde vêm esses números?

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Em mais uma semana de declarações grandiosas, o presidente Donald Trump voltou a inflar os números sobre os investimentos prometidos por países do Oriente Médio nos Estados Unidos. Segundo ele, os compromissos financeiros firmados durante sua recente visita à região podem chegar agora a impressionantes US$ 7 trilhões — valor nunca antes confirmado nem contextualizado oficialmente pela Casa Branca.

Apesar do entusiasmo presidencial, os dados divulgados até agora indicam um cenário bem mais modesto (ainda que bilionário). O próprio governo listou cerca de US$ 2,24 trilhões em acordos e promessas de investimentos, considerando:

US$ 600 bilhões da Arábia Saudita, parte de um plano de quatro anos anunciado ainda em janeiro
US$ 1,2 trilhão em intercâmbio econômico com o Catar, incluindo comércio e cooperação estratégica
US$ 243,5 bilhões adicionais do Catar, em defesa e infraestrutura
US$ 200 bilhões dos Emirados Árabes Unidos, voltados para tecnologia, energia e segurança

Ainda assim, Trump tem elevado esse número publicamente a cada nova declaração.

A escalada dos trilhões — sem base pública

Durante a viagem:

Quinta-feira (14/05): Em conversa a bordo do Força Aérea Um, Trump afirmou ter “acabado de garantir US$ 4 trilhões”
Sexta-feira (16/05): A Casa Branca divulgou um comunicado oficial, citando “mais de US$ 2 trilhões em grandes negócios”
Segunda-feira (19/05): Em evento no Kennedy Center, o presidente atualizou o número para US$ 5,1 trilhões
Terça-feira (20/05): Ao chegar ao Capitólio, Trump afirmou: “Estão gastando US$ 5,1 trilhões, mas provavelmente serão US$ 7 trilhões quando tudo terminar”

Esses saltos numéricos não vieram acompanhados de novos documentos, detalhes contratuais ou posicionamentos oficiais dos países envolvidos.

Hipérboles ou estratégia?

Trump, que cunhou o termo “hipérbole verdadeira” em seu livro A Arte da Negociação, não é estranho ao uso de números superlativos para impactar a opinião pública e movimentar narrativas de sucesso pessoal. No entanto, a Casa Branca se recusou a explicar a origem exata dessas cifras infladas ou esclarecer se se trata de intenções futuras, valores agregados de longo prazo ou simplesmente estimativas otimistas.

Especialistas em economia internacional alertam que, embora esses acordos sejam importantes, promessas não significam execução. Em 2017, por exemplo, Trump anunciou com entusiasmo a construção de uma fábrica da Foxconn em Wisconsin, prometendo 13 mil empregos e um investimento de US$ 10 bilhões. O projeto, no entanto, foi drasticamente reduzido e não chegou nem perto das metas iniciais.

O que está realmente em jogo

Os investimentos do Oriente Médio nos EUA fazem parte de um realinhamento geopolítico mais amplo. Países como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos buscam diversificar economias e reforçar relações estratégicas com os EUA. Esses acordos envolvem setores como defesa e segurança regional, energia renovável e petróleo, infraestrutura crítica, e tecnologia, IA e inovação.

Contudo, como explica o economista internacional Alex Jamal, “sem documentação pública, cronogramas definidos ou envolvimento do Congresso, muitos desses anúncios devem ser vistos como declarações de intenção, não compromissos vinculantes.”

Conclusão

A retórica de Donald Trump segue poderosa — e, para muitos de seus apoiadores, é um símbolo de liderança assertiva. Mas no tabuleiro da diplomacia internacional, trilhões prometidos sem base detalhada podem acabar sendo apenas fumaça eleitoral.

Até agora, nenhum país árabe confirmou publicamente os US$ 7 trilhões citados por Trump, e os próprios documentos da Casa Branca se mantêm no patamar dos US$ 2,2 trilhões. A pergunta que fica é: quanto disso será mesmo investido? E, mais importante, quando?

Sobre o Autor:
Redação Entre Fronteiras
Grupo de Brasileiros focados em auxiliar empreendedores nos Estados Unidos da América.

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