Durante uma visita à Carolina do Norte, devastada pelo furacão Helene, na sexta-feira, o presidente Donald Trump declarou que estava considerando “se livrar da FEMA” (Agência Federal de Gestão de Emergências) e sugeriu mudanças profundas no papel do governo federal na resposta a desastres.
“A FEMA tem sido uma grande decepção”, disse Trump durante um briefing em Asheville, enfatizando a burocracia e lentidão da agência. “Gostaria de ver os estados cuidarem dos desastres… seria mais rápido e mais eficiente.”
Mudanças na Gestão de Desastres
Trump indicou que está pensando em assinar uma ordem executiva para revisar e possivelmente reformar o funcionamento da FEMA. A agência, que historicamente entra em ação quando estados solicitam ajuda federal para desastres, pode ser relegada a um papel secundário caso o plano de Trump vá adiante.
Atualmente, a FEMA fornece reembolsos a governos locais por esforços de recuperação e assistência financeira provisória a indivíduos afetados. No entanto, aliados conservadores de Trump têm defendido cortes nos recursos destinados à agência, alegando que a responsabilidade deve ser transferida para os estados.
Michael Coen, ex-chefe de gabinete da FEMA, criticou as declarações de Trump, afirmando que a agência desempenha um papel crucial em catástrofes que ultrapassam a capacidade dos estados. “O povo americano espera que o governo federal esteja lá nos seus piores momentos, independentemente de onde vivam“, disse Coen.
Visitas a Zonas de Desastre
Além da Carolina do Norte, Trump visitou Los Angeles, que enfrenta incêndios florestais devastadores. Ele culpou as políticas hídricas da Califórnia pelos incêndios, uma alegação já desmentida por especialistas. “Se eles deixassem a água fluir, poderíamos ter evitado isso”, afirmou Trump.
Os incêndios florestais californianos, agravados por condições climáticas extremas, já levaram milhares de pessoas a evacuar. Estudos científicos apontam que o aquecimento global intensificou tanto os incêndios quanto o furacão Helene, que causou chuvas 10% mais intensas do que o esperado, segundo a World Weather Attribution.
Nomeação Controversa e Reações Locais
Trump nomeou Cameron Hamilton, um ex-Navy SEAL sem vasta experiência em desastres naturais, como diretor interino da FEMA, gerando dúvidas sobre sua capacidade de liderar a agência.
Moradores locais, como Laurie Carpenter, uma aposentada na Carolina do Norte, expressaram frustração com a lentidão na recuperação. “Se alguém vai fazer algo, acho que ele fará”, disse Carpenter, referindo-se a Trump.
Consequências Políticas e Climáticas
A proposta de Trump de limitar o papel da FEMA e transferir a responsabilidade para os estados levanta questões sobre desigualdades regionais na resposta a desastres. Estados com menos recursos financeiros podem enfrentar dificuldades significativas em lidar com catástrofes.
Além disso, especialistas em clima destacam que a negação de Trump sobre o impacto das mudanças climáticas pode dificultar respostas efetivas. Amanda Stasiewicz, da Universidade de Oregon, afirma que eventos extremos “estão quebrando nossa zona de conforto do que deveria ser normal”.
Próximos Passos
Após visitar as zonas de desastre, Trump planeja um comício em Las Vegas, onde deve detalhar propostas econômicas e comemorar sua vitória em Nevada, estado conquistado por um republicano pela primeira vez desde 2004.
A visão de Trump para reformular a FEMA e a resposta a desastres promete continuar alimentando debates sobre o papel do governo federal em momentos críticos, especialmente em um contexto de eventos climáticos cada vez mais severos.

