O senador republicano Lindsey Graham, um dos aliados mais próximos do ex-presidente Donald Trump no Congresso, deu início à sua campanha para um quinto mandato no Senado dos EUA. Para fortalecer sua candidatura, Graham contará com o apoio de duas das principais figuras republicanas da Carolina do Sul: o senador Tim Scott e o governador Henry McMaster, que atuarão como presidentes de sua campanha para 2026.
A decisão de Scott e McMaster de endossar Graham desde o início sinaliza uma demonstração de força em um estado onde o senador pode enfrentar desafios dentro do próprio partido, especialmente da ala mais à direita.
Apoio de Figuras-Chave do Partido Republicano
O apoio de Tim Scott, que atualmente preside o National Republican Senatorial Committee (NRSC) e chegou a disputar as primárias presidenciais republicanas contra Trump em 2024, reforça a posição de Graham dentro do establishment republicano. Após sua candidatura fracassada, Scott se tornou um dos principais apoiadores de Trump na campanha presidencial.
Já o governador Henry McMaster, que recentemente se tornou o líder mais longevo do estado, também tem laços estreitos com Trump. Ele assumiu o governo da Carolina do Sul em 2017, após Nikki Haley deixar o cargo para ser embaixadora dos EUA na ONU, e foi eleito para dois mandatos consecutivos.
O apoio de ambos demonstra a influência contínua de Trump no estado e na campanha de Graham, já que o ex-presidente segue altamente popular entre os eleitores republicanos da Carolina do Sul.
Desafios à Reeleição
Apesar do forte apoio inicial, Graham já enfrentou resistência dentro do próprio Partido Republicano. Sua disposição para negociar acordos bipartidários fez com que ele fosse criticado pela ala mais conservadora do partido e censurado por comitês republicanos locais diversas vezes.
Em julho de 2023, Graham foi vaiado durante um comício de Trump na cidade de Pickens, seu condado natal. As vaias se intensificaram ao ponto de interromperem seu discurso por mais de cinco minutos. O próprio Trump reconheceu a resistência ao senador, afirmando ao público que precisaria “trabalhar essas pessoas” para que aceitassem Graham, mas enfatizando que o senador “está lá quando você precisa dele”.
A desconfiança da base trumpista tem sido explorada por possíveis rivais republicanos que podem desafiar Graham nas primárias, como:
- Ralph Norman, deputado federal e membro do influente House Freedom Caucus, grupo de linha dura da direita republicana.
- Adam Morgan, ex-legislador estadual, que perdeu uma disputa primária para a Câmara dos Representantes em 2024.
Esses concorrentes podem tentar atrair eleitores descontentes com a postura moderada de Graham em algumas questões e reforçar sua imagem como uma opção mais alinhada à ala conservadora do partido.
Recursos para a Campanha
Apesar dos desafios internos, Graham entra na disputa com uma vantagem financeira significativa. Sua campanha anunciou no mês passado que ele já acumulou mais de US$ 15,6 milhões em caixa, sendo quase US$ 1 milhão arrecadado apenas no último trimestre de 2024.
Na eleição de 2020, Graham conseguiu superar diversos concorrentes republicanos antes de derrotar o candidato democrata Jaime Harrison com uma margem de 10 pontos percentuais. Harrison, que posteriormente presidiu o Comitê Nacional Democrata, encerrou seu mandato recentemente.
Conclusão
A corrida para a reeleição de Lindsey Graham em 2026 começa com um apoio estratégico significativo, mas também com desafios internos. O endosso de Tim Scott e Henry McMaster fortalece sua campanha, mas as divisões dentro do Partido Republicano da Carolina do Sul e o histórico de tensões com a base trumpista podem representar obstáculos no caminho do veterano senador.
Com Graham se preparando para uma disputa primária potencialmente acirrada, sua habilidade de manter o apoio dos eleitores republicanos enquanto lida com as críticas da ala mais conservadora será crucial para garantir um novo mandato no Senado.

