Em 2024, a instalação de usinas eólicas no Brasil caiu 31,25%, totalizando 3,3 GW, devido a uma crise de demanda e à sobreoferta de energia, enquanto a energia solar cresceu 37,8%, alcançando 14,3 GW, impulsionada por incentivos para geração distribuída, consolidando-se como uma das principais fontes de energia do país.
A instalação de usinas eólicas no Brasil viu uma queda significativa em 2024, totalizando 3,3 GW de potência, o que representa uma diminuição de 31,25% em comparação ao ano anterior. Essa desaceleração é devido a uma crise de demanda, resultante da sobreoferta de energia no país e de decisões empresariais de reduzir novos projetos.
Queda nas instalações de usinas eólicas
A queda nas instalações de usinas eólicas no Brasil foi bastante expressiva, com um total de 3,3 GW instalados em 2024, o que representa uma diminuição de 31,25% em relação ao ano anterior, que teve 4,8 GW. Essa desaceleração é a mais acentuada desde 2018 e 2019, quando o setor também enfrentou dificuldades devido ao cancelamento de leilões regulados.
De acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), a crise de demanda está atrelada à sobreoferta de energia do país, que resultou em um cenário desafiador para novos projetos. Em 2023, 123 parques foram instalados, mas em 2024 esse número caiu para 76.
A ausência de novos investimentos e o aumento nos custos, que desestimulam empreendimentos, geraram um efeito dominó no setor. Isso reflete na infraestrutura, que enfrenta um “delay” de dois anos e, consequentemente, uma expectativa de continuidade da crise até 2026.
Essa situação também se agrava devido a problemas enfrentados pela indústria fornecedora de aerogeradores, onde grandes multinacionais estão com menos pedidos e enfrentando custos elevados no mercado internacional.
A análise atual sugere que o mercado de energia eólica poderá retomar seu crescimento a partir de 2027, com uma expectativa de recuperação atrelada a novos “drivers” de demanda, como o crescimento econômico e o surgimento de indústrias que dependem cada vez mais de energia renovável.
Expectativas para o setor de energia eólica
As expectativas para o setor de energia eólica no Brasil são de uma recuperação gradual a partir de 2027. Especialistas da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) acreditam que, após um período de crise de demanda que se estenderá por mais dois anos, o segmento terá novas oportunidades devido ao crescimento econômico e à expansão da necessidade de energia.
Com o avanço da economia, prevê-se que a carga de energia do país aumente, o que deverá impulsionar novos projetos. A introdução de novos “drivers” de demanda, como indústrias de data centers e de hidrogênio verde, também pode ser um fator crucial na revitalização do setor eólico. Esses setores são conhecidos por sua grande necessidade de energia, especialmente a proveniente de fontes renováveis.
Além disso, a recente aprovação do marco regulatório para a energia eólica offshore (no mar) também cria uma nova perspectiva para a expansão do setor. A expectativa é que os leilões para a utilização de áreas no mar possam ser realizados ainda em 2025, permitindo que as primeiras usinas offshore comecem a operar a partir de 2030.
No entanto, os desafios persistem. A necessidade de se ajustar às flutuações no mercado e à infraestrutura que necessitará de melhorias é fundamental. Apesar das dificuldades, a mensagem da ABEEólica é de que o futuro da energia eólica no Brasil pode ser promissor, com ressalvas relacionadas ao planejamento de projetos e à necessidade urgente de investimentos.
Crescimento da energia solar no Brasil
O crescimento da energia solar no Brasil tem sido notável, especialmente em contraste com a queda das instalações de usinas eólicas. Em 2024, a energia solar adicionou 14,3 GW à matriz elétrica brasileira, representando um crescimento impressionante de 37,8% em relação ao ano anterior. Essa expansão é impulsionada principalmente pelos incentivos à geração distribuída, que inclui instalações de energia solar em telhados e fachadas.
Desses 14,3 GW, cerca de 8,7 GW foram provenientes de sistemas de geração distribuída, enquanto 5,7 GW vieram de geração centralizada, que são grandes usinas que fornecem energia diretamente ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Com isso, a energia solar atingiu um total de 52,2 GW no Brasil, evidenciando sua rápida ascensão como uma das principais fontes de energia do país.
O crescimento da energia solar está sendo monitorado de perto pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), especialmente devido às suas implicações no perfil de carga e na gestão das usinas e rede elétrica. Há preocupações sobre como a geração distribuída, que deve superar 50 GW até 2029, poderá impactar a operação do SIN, já que esses sistemas não são controláveis em tempo real.
Além disso, o sucesso da energia solar pode ser atribuído a uma combinação de incentivos governamentais, políticas favoráveis e a crescente conscientização sobre a necessidade de opções de energia mais sustentáveis. A expectativa é que esse crescimento continue, conferindo ao Brasil uma posição de destaque no cenário de energia renovável global.
FAQ – Perguntas frequentes sobre a instalação de usinas eólicas e crescimento da energia solar
Por que a instalação de usinas eólicas caiu em 2024?
A instalação de usinas eólicas caiu devido a uma crise de demanda provocada pela sobreoferta de energia, além de dificuldades enfrentadas na indústria fornecedora de aerogeradores.
Quais são as expectativas para o setor eólico até 2027?
As expectativas são de uma recuperação gradual a partir de 2027, impulsionada pelo crescimento econômico e novas demandas, como data centers e hidrogênio verde.
O que é energia eólica offshore?
Energia eólica offshore refere-se a usinas eólicas instaladas no mar, que têm potencial de crescimento no Brasil, com leilões planejados para 2025.
Como está o crescimento da energia solar no Brasil?
A energia solar cresceu 37,8% em 2024, adicionando 14,3 GW à matriz elétrica, destacando-se como uma das principais fontes de energia no país.
Qual é o impacto da energia solar na matriz elétrica brasileira?
A energia solar está promovendo uma diversificação na matriz elétrica, ajudando a atender à crescente demanda de energia e desafiando a operação do sistema elétrico.
Quais os benefícios da geração distribuída de energia solar?
A geração distribuída permite que consumidores produzam sua própria energia, reduzindo custos e aumentando a eficiência do sistema elétrico, além de contribuir para a sustentabilidade.

