A Florida Power & Light (FPL), uma das maiores concessionárias de energia dos Estados Unidos, apresentou na última sexta-feira uma proposta à Comissão de Serviços Públicos da Flórida para um aumento significativo nas tarifas de energia elétrica ao longo dos próximos quatro anos. A justificativa da empresa para o reajuste se baseia no crescimento populacional do estado e na necessidade de ampliação da infraestrutura de energia solar e armazenamento de baterias.
Projeções de aumento e impacto financeiro
Segundo a proposta apresentada, a FPL pretende aumentar a arrecadação em US$ 1,545 bilhão em 2026 e mais US$ 927 milhões em 2027. Além disso, os clientes sentirão novos reajustes em 2028 e 2029 para custear projetos de expansão da geração de energia limpa e tecnologias de armazenamento de eletricidade. No total, os consumidores enfrentarão quatro anos consecutivos de aumentos tarifários.
Atualmente, os clientes da FPL que consomem 1.000 kWh por mês pagam US$ 134,14 na área de serviço tradicional da empresa. Se a proposta for aprovada, esse valor subirá para:
- US$ 142,37 em 2026
- US$ 148,29 em 2027
- US$ 149,93 em 2028
- US$ 151,99 em 2029
Os consumidores da região noroeste da Flórida, que antes eram atendidos pela Gulf Power Co., pagam atualmente US$ 143,60. Para esses clientes, os valores também sofrerão reajustes graduais até atingir os mesmos US$ 151,99 em 2029.
Crescimento populacional e investimentos em infraestrutura
De acordo com a FPL, a principal razão para o aumento tarifário é a expansão da população da Flórida, que deve adicionar 335.000 novos clientes até 2029. Esse crescimento gera uma necessidade maior de investimentos na infraestrutura elétrica, incluindo geração, transmissão e distribuição.
A concessionária planeja construir cerca de 1.490 megawatts de projetos solares em 2028 e mais 1.788 megawatts em 2029. Além disso, serão adicionadas novas instalações de armazenamento de baterias para garantir a confiabilidade do fornecimento e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
Lucros e críticas ao reajuste tarifário
Além do impacto direto no bolso dos consumidores, a proposta da FPL inclui um pedido para aumentar a taxa de retorno sobre o patrimônio líquido da empresa para 11,9%, um valor acima da média do setor. Como comparação, a Tampa Electric Co. teve um retorno aprovado de 10,5% pela comissão reguladora no ano passado. A justificativa da FPL para essa taxa elevada seria a necessidade de manter a empresa financeiramente atrativa para investidores e garantir a continuidade dos projetos de expansão.
A proposta gerou críticas imediatas de grupos de defesa do consumidor e organizações ambientais. O The CLEO Institute, uma entidade sem fins lucrativos focada em questões climáticas, publicou um comunicado classificando os aumentos como “excessivos e prejudiciais para famílias e pequenas empresas que já enfrentam dificuldades financeiras”.
“Os serviços públicos monopolistas não devem ter lucros exorbitantes às custas da população”, declarou Yoca Arditi-Rocha, diretora executiva do instituto.
Próximos passos e expectativas
O processo regulatório para aprovação das novas tarifas será extenso, com meses de audiências e análise de dados antes de uma decisão final da Comissão de Serviços Públicos da Flórida. Diversos grupos de defesa do consumidor, incluindo a Southern Alliance for Clean Energy, já manifestaram interesse em intervir no caso para garantir que os reajustes sejam justificados e equilibrados.
A atual estrutura tarifária da FPL expira no final de 2025, tornando essencial a definição de um novo plano antes dessa data. O desfecho desse processo poderá impactar milhões de consumidores, tanto no que diz respeito aos custos diretos quanto à expansão da energia limpa na Flórida.

