Nesta segunda-feira (28), um dos maiores apagões da história recente atingiu Portugal, Espanha e partes de outros países europeus, provocando caos em transportes, comércio e serviços essenciais. O incidente, que começou por volta do meio-dia na Espanha (8h em Brasília), deixou milhões sem eletricidade, interrompeu o funcionamento de trens, metrôs e afetou até grandes eventos esportivos, como o Aberto de Tênis de Madri.
De acordo com a Rede Elétrica Nacional (REN) de Portugal, oscilações extremas nas linhas de alta tensão, possivelmente causadas por “vibração atmosférica induzida” devido a variações de temperatura no interior espanhol, estão na origem do apagão. A normalização completa do sistema pode levar até uma semana, alertou a empresa.
Enquanto isso, cidades como Lisboa, Porto e Madri enfrentam transtornos graves. Semáforos apagados paralisaram o trânsito, estações de metrô foram esvaziadas às pressas e restaurantes e lojas fecharam as portas. Na capital espanhola, a recomendação do prefeito José Luis Martínez-Almeida é clara: “Fiquem onde estão e só saiam em caso de extrema necessidade.”
Sinais de crise
Com os terminais de pagamento fora do ar, enormes filas se formaram nos caixas eletrônicos. Compras simples, como um almoço ou uma passagem de metrô, se tornaram desafios. “Estamos tentando pagar nosso almoço, mas tudo parou”, relatou Emily Lansdown, uma turista britânica presa em Madri.
As escolas também foram afetadas: sem luz e comunicação instável, muitos pais enfrentam dificuldades para localizar seus filhos. Com as redes móveis sobrecarregadas e a internet instável, a solução para se informar tem sido o rádio — um recurso que parecia esquecido em tempos digitais.
Aeroportos e viagens interrompidas
Em Portugal, a companhia aérea TAP aconselhou passageiros a não se dirigirem aos aeroportos, antecipando atrasos e cancelamentos em massa. No Aeroporto de Lisboa, centenas de passageiros lotaram os saguões, à espera de informações, enquanto sistemas de check-in e segurança operavam de forma manual ou, em muitos casos, paralisados.
Já a operadora ferroviária espanhola Renfe anunciou a interrupção total da circulação dos trens de alta velocidade. Túneis de autoestradas também foram fechados por segurança.
A extensão do impacto
Embora o apagão tenha sido mais severo na Península Ibérica, regiões de Andorra e do sul da França também reportaram quedas de energia. Ainda não há confirmação oficial sobre a origem exata do problema nem se o fenômeno pode se espalhar para outras partes da Europa.
Enquanto a Red Eléctrica da Espanha trabalha para restabelecer os serviços em até 10 horas em alguns locais, autoridades alertam que a instabilidade pode persistir por dias, especialmente nas regiões mais afetadas.
Incertezas e temores
Para muitos moradores, o blecaute trouxe sentimentos de confusão e insegurança. “Nunca vi algo assim antes”, disse Hannah Lowney, residente em Madri. “As pessoas estão andando pelas ruas, tentando pegar qualquer sinal de celular, perguntando umas às outras o que está acontecendo.”
O governo espanhol ainda não emitiu uma nota oficial sobre as causas do apagão, mas especialistas alertam que, caso o problema esteja ligado a oscilações de rede elétrica em larga escala, isso pode ser um prenúncio de novos desafios para as infraestruturas energéticas da Europa.
Enquanto isso, a recomendação é clara: poupar energia, manter a calma e evitar deslocamentos desnecessários.

